Especial Dia Internacional da Mulher: Mulheres na Política e Desafios Atuais
Neste Dia Internacional da Mulher, é essencial refletir sobre a presença feminina na política brasileira e os desafios que persistem.
O Brasil é um país de mulheres. Elas são 51,5% da população e 52,47% do eleitorado. Ainda assim, quando o assunto é ocupação de espaços de decisão política, o cenário é de sub-representação e desafios estruturais. A caminhada rumo à igualdade tem avançado, mas ainda a passos lentos. E, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é essencial refletir sobre a presença feminina na política brasileira e os desafios que persistem.
Avanços lerdos, mas constantes
As eleições municipais de 2024 trouxeram um leve aumento na presença feminina no Executivo e Legislativo municipais. Das 5.569 prefeituras, 727 serão comandadas por mulheres a partir de 2025, um crescimento de apenas um ponto percentual em relação a 2020. No Legislativo, das 58,3 mil cadeiras das Câmaras Municipais, 10,6 mil (18,24%) foram ocupadas por mulheres, um aumento modesto em relação ao pleito anterior.
Apesar do crescimento, as mulheres seguem como minoria absoluta nos espaços de decisão política. O fato de apenas duas capitais, Aracaju (SE) e Campo Grande (MS), terem eleito mulheres como prefeitas reforça a dificuldade de rompimento das barreiras estruturais que afastam lideranças femininas desses postos.
Um caminho de desafios
Mesmo com a obrigatoriedade da cota de gênero de 30% nas chapas proporcionais, em 2024 mais de 700 municípios brasileiros descumpriram essa regra. Isso demonstra que há um longo caminho até que a participação feminina seja uma realidade consolidada. Muitos partidos ainda vêm essas candidaturas como meramente formais, sem garantir reais condições de disputa igualitárias.
No Congresso Nacional, a situação também é preocupante. Apesar do aumento na bancada feminina na Câmara dos Deputados, que passou de 77 eleitas em 2018 para 91 em 2022, as mulheres ainda representam apenas 18% do Legislativo federal. No Senado, o número é ainda menor, com apenas quatro senadoras eleitas em 2022.
A história e o futuro
Quase um século se passou desde que Alzira Soriano se tornou a primeira mulher prefeita do Brasil e da América Latina, em 1929, no município de Lajes (RN). A trajetória da política feminina no Brasil tem sido de avanços conquistados com muita luta, mas que ainda são insuficientes diante da desigualdade estrutural que persiste.
Para mudar esse cenário, é essencial que haja mais investimentos em formação política para mulheres, apoio partidário efetivo e mecanismos que incentivem a participação feminina sem que elas precisem enfrentar violência política de gênero.
O eleitorado está mais atento e exige representação. Os partidos que ignorarem essa tendência podem pagar um preço alto no futuro.
A política brasileira ainda é um espaço predominantemente masculino, mas o caminho para a mudança está traçado. Cabe a todos – mulheres e homens – garantir que ele seja percorrido com justiça e igualdade.