O que significa Ser Mulher no Brasil

Ninguém nasce mulher…

A frase que inaugura O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, reverbera com força no Brasil de 2025. Se ser mulher é uma construção social, como afirmava a filósofa francesa, os números mostram que, aqui, essa condição vem acompanhada de dor, medo e violência. O Brasil é um dos piores países do mundo para se ser mulher, e os dados são claros e brutais.

A cada 6 horas, uma mulher é assassinada no Brasil

Em 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.463 mulheres foram vítimas de feminicídio. Isso significa que, a cada seis horas, uma mulher foi morta simplesmente por ser mulher. O número é estonteante e revela uma realidade de terror que atravessa todas as classes sociais. As principais armas utilizadas foram armas brancas e de fogo, mas a violência psicológica, a tortura e a humilhação estão por trás de muitas dessas mortes.

Mais de 70 mil mulheres estupradas por ano

O Brasil registrou, em 2023, 74.930 casos de estupro de mulheres, um aumento de 8,2% em relação ao ano anterior. O dado se torna ainda mais assombroso quando se percebe que 61% dessas vítimas são menores de 13 anos. A cultura do estupro, que relativiza e minimiza a dor dessas mulheres, segue presente em tribunais, delegacias e até mesmo dentro de casa, onde muitas dessas violações ocorrem.

O cárcere feminino: um reflexo da desigualdade

O Brasil tem a terceira maior população carcerária feminina do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. São mais de 42 mil mulheres presas, sendo que 62% delas estão detidas por crimes relacionados ao tráfico de drogas. A maioria é negra, jovem e mãe. O sistema penitenciário, pensado para homens, não oferece estrutura adequada para a população feminina: faltam absorventes, espaços para amamentação e condições mínimas de dignidade.

Violência doméstica: uma epidemia silenciosa

A cada dois minutos, uma mulher registra uma ocorrência de violência doméstica no Brasil. Em 2023, foram mais de 245 mil casos, mas o número real é subnotificado. Muitas mulheres não denunciam por medo, dependência financeira ou pela falta de uma rede de apoio. Mesmo quando conseguem romper o ciclo da violência, esbarram em um Estado que nem sempre oferece proteção real.

O que significa ser mulher no Brasil?

Ser mulher no Brasil é viver com medo. É olhar para trás ao caminhar sozinha na rua, evitar certas roupas, pensar duas vezes antes de pegar um ônibus à noite. É trabalhar mais e ganhar menos, é se tornar mãe e ser penalizada no mercado de trabalho. É ser julgada por suas escolhas, violentada em sua própria casa e, muitas vezes, morta por um parceiro que jurou amá-la.

Mas ser mulher no Brasil também é resistir. É levantar a voz, exigir leis mais rigorosas, criar redes de apoio, ocupar espaços de poder. É transformar dor em luta, medo em coragem, silêncio em eco.

Ninguém nasce mulher, e, no Brasil, ser mulher é um ato de sobrevivência.

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