No Irã, um país onde a repressão às mulheres atinge os mais variados aspectos da vida, a música se tornou mais uma trincheira de luta. A cantora Parastoo Ahmadi, de 27 anos, foi presa em dezembro de 2024 após publicar um vídeo de sua performance sem o hijab, vestindo um vestido sem mangas. Seu crime? Cantar.
Uma Canção de Liberdade
Parastoo Ahmadi transmitiu seu concerto ao vivo pelo YouTube, desafiando as leis que proíbem mulheres de cantarem em público sem usar hijab e com os ombros descobertos. Em sua apresentação, declarou: “Quero cantar para a minha terra e para as pessoas que amo. Esse é um direito que não posso ignorar.” A performance viralizou rapidamente, recebendo dezenas de milhares de visualizações em poucas horas. Mas, enquanto a canção ecoava entre os ouvintes, as autoridades se mobilizavam para silenciá-la.
A prisão aconteceu logo após a divulgação do vídeo. Segundo seu advogado, Milad Panahipour, Parastoo foi detida sem qualquer aviso ou informação oficial sobre as alegações contra ela. “Desde o momento da prisão, estamos sem notícias de seu paradeiro. Sua família está desesperada.”
A Perseguição às Mulheres no Irã
O caso de Parastoo Ahmadi é mais um capítulo na repressão sistemática das mulheres iranianas. Desde a morte de Mahsa Amini em 2022, que desencadeou a campanha “Mulheres, Vida, Liberdade”, o governo tem apertado ainda mais o cerco contra mulheres que desafiam as regras impostas pelo regime.
Em abril de 2024, o Plano Noor foi implementado, colocando patrulhas constantes nas ruas para garantir o cumprimento do código de vestimenta islâmico. A vigilância extrema tem resultado em uma onda de prisões e punições severas. Apenas em 2024, pelo menos 31 mulheres foram executadas sob acusações de violarem a moralidade, segundo relatórios da ONU. Outras, como a empresária Zeinab Khenyab Pour, foram condenadas à prisão simplesmente por postarem fotos sem hijab nas redes sociais. Casos de punições brutais, como os 74 chicotes dados a Roya Heshmati, reforçam o terror imposto pelo regime.
Cantar é Resistir
A história de Parastoo Ahmadi ressoa mundialmente como um lembrete da luta das mulheres iranianas por direitos básicos. Seu nome se junta a uma lista crescente de artistas e ativistas perseguidas por desafiar um sistema opressor. O rapper Tomaj Salehi, por exemplo, foi condenado à morte por expressar apoio aos protestos através de sua música. O cantor Shervin Hajipour também foi sentenciado por compor canções que se tornaram hinos da resistência.
A comunidade internacional tem pressionado o governo iraniano para libertar Parastoo e outros artistas presos. Entretanto, enquanto sua voz permanecer silenciada dentro das prisões do Irã, cabe ao mundo continuar ecoando sua canção de liberdade.
Parastoo Ahmadi não está sozinha. Sua voz, ainda que tentem calar, continua a inspirar uma geração inteira a lutar por um futuro onde a arte, a expressão e a liberdade não sejam crimes.