Luciana Cruz: a mulher preta da periferia que construiu caminhos de moradia e dignidade

Era pandemia. O mundo desmoronava lá fora enquanto, dentro de casa, Luciana Cruz carregava a vida no ventre. Grávida de sua terceira filha, recém-demitida e vivendo a insegurança que tantas outras mulheres negras e periféricas conhecem de cor, ela decidiu que não esperaria as portas se abrirem — iria construí-las.

Hoje, Luciana é fundadora da Minha Morada Negócios Imobiliários, uma corretora que vai além da venda e locação de imóveis. Seu negócio é sobre abrigo, dignidade e pertencimento. Mulher preta, mãe, esposa, com ensino médio completo e técnica em Transações Imobiliárias, ela encontrou no projeto Capacita a chance de virar a chave. E virou. “Foi ali que tudo começou. Me inscrevi, fui contemplada com uma bolsa, estudei, me formei e criei meu próprio caminho”, conta com o brilho de quem sabe o valor de cada passo.

Mas o caminho não foi plano. Luciana enfrentou a falta de recursos, o peso da informalidade e a solidão das empreendedoras de primeira viagem. Ainda assim, com inteligência emocional, garra e muito networking, construiu alianças, buscou mentorias e resistiu — dia após dia. “A cada cliente atendido, a cada contrato assinado, eu sabia que estava abrindo mais do que portas: estava abrindo possibilidades”, afirma.

O impacto do seu trabalho é visível e, acima de tudo, humano. Atendendo prioritariamente famílias de baixa renda, Luciana promove inclusão, estabilidade e afeto. Com uma escuta sensível e soluções acessíveis, seu atendimento gera alívio, empoderamento e uma espécie de renascimento para quem vive a angústia de não ter onde morar. Ela também oferece lembranças aos clientes, como gesto simbólico de acolhimento, algo raro no mercado imobiliário tradicional.

Mais do que uma corretora, ela é uma líder comunitária disfarçada de empreendedora. E seus planos para o futuro reforçam essa identidade: quer estruturar um escritório ainda mais sólido e promover a diversidade e a inclusão dentro da sua empresa, capacitando mulheres negras, mães solo, pessoas trans e com deficiência para ocuparem cargos de liderança. “Quero que elas liderem seus próprios setores. A confiança nasce quando somos vistas como capazes, e elas são”, declara com convicção.

Além disso, já atua com doações de cestas básicas a pessoas em situação de vulnerabilidade, e sonha em ampliar essa frente solidária.

Luciana também tem um recado para os espaços de poder: “Queremos ver mulheres negras em posições de liderança, sentadas nos palcos, nos conselhos, nas decisões. Isso não é luxo — é justiça.” A presença, para ela, é uma ferramenta política. E sua própria história é uma denúncia e um manifesto: não basta resistir — é preciso reexistir com dignidade.

Sua liderança, baseada na empatia, na inovação e na coragem, é uma aula de cidadania econômica e social. Num mundo que insiste em apagar mulheres como ela, Luciana Cruz finca bandeiras de pertencimento — e mostra que ninguém deveria dormir sem um teto… nem viver sem um sonho.


📍 Esta matéria faz parte da editoria “Mulheres que Inspiram” do portal Mulher em Pauta, que destaca trajetórias de mulheres que fazem a diferença nos espaços públicos e privados de poder e decisão. Lugar de mulher é aqui.

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