Ana Clara Oliveira : Mentora de oratória e posicionamento em vídeo conta sua trajetória no empreendedorismo feminino
Em um cenário onde a comunicação se entrelaça cada vez mais com os desafios do empreendedorismo e da inovação, Ana Clara Oliveira se destaca como uma voz multifacetada e inspiradora. Jornalista formada pela UERN, sua carreira percorreu caminhos diversos — do jornalismo tradicional na televisão à produção de documentários que capturam histórias com sensibilidade, da coordenação de eventos de alto impacto à liderança no marketing digital e fortalecimento do empreendedorismo feminino.Com uma atuação que atravessa mais de 20 estados brasileiros e uma visão estratégica focada no cuidado de cada detalhe, Ana Clara personifica o poder transformador da comunicação aliada à paixão por criar conexões e gerar impacto real. À frente da Moovee Criativee, sua mais nova empresa, ela continua ampliando fronteiras, inspirando mulheres a ocuparem espaços de destaque e liderança. Nesta entrevista exclusiva, Ana Clara compartilha seus aprendizados, desafios e a visão que a move a transformar negócios e vidas, reafirmando o lugar da mulher como protagonista nas mais diversas áreas.
Ana Clara, sua trajetória é marcada por experiências diversas na comunicação, do jornalismo tradicional à produção de documentários independentes. Como essa versatilidade influenciou sua forma de olhar e contar histórias?
Com certeza, essa diversidade de experiências moldou completamente o meu olhar. No jornalismo tradicional, aprendi a importância da apuração precisa, da ética e do compromisso com a verdade. Já na produção de documentários independentes, desenvolvi um olhar mais sensível e aprofundado sobre as histórias das pessoas — aquele tempo de escuta, de observar os silêncios, os detalhes que não cabem numa pauta rápida. Essa versatilidade me ensinou que cada história merece ser contada com respeito, contexto e, principalmente, com alma. Hoje, consigo transitar entre o factual e o emocional com mais equilíbrio, o que me permite entregar narrativas mais completas e humanas, seja num vídeo institucional, numa campanha ou numa reportagem especial.
Você transitou com sucesso entre a comunicação e o mundo dos negócios, especialmente na coordenação de eventos de grande impacto. Quais desafios encontrou nesse caminho e como os superou?
Foi um processo intenso, cheio de aprendizados. Transitar da comunicação para o mundo dos negócios exigiu de mim uma mudança de postura — deixar de ser apenas executora para me tornar estrategista. Um dos maiores desafios foi ser levada a sério como mulher jovem em posições de liderança em eventos de grande porte. Muitas vezes precisei provar minha competência antes mesmo de falar. Além disso, empreender no Brasil exige resiliência: lidar com burocracias, formar equipe, manter qualidade e inovar ao mesmo tempo. O que me ajudou a superar tudo isso foi a combinação entre visão estratégica, senso de urgência e o cuidado com os detalhes. Sempre me pergunto: como posso entregar algo que marque as pessoas? E é com essa pergunta que eu sigo desenhando experiências e liderando projetos com propósito e impacto real.Hoje você atua no marketing digital e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
De que forma a comunicação estratégica pode ser uma ferramenta transformadora para mulheres que buscam espaço no mercado?
A comunicação estratégica é uma aliada poderosa para as mulheres que querem ocupar seu lugar no mercado. Muitas vezes, o que falta não é talento nem competência — é visibilidade e posicionamento. Quando uma mulher aprende a comunicar seu valor, sua história e o diferencial do seu negócio de forma clara e autêntica, ela se destaca. A comunicação certa atrai oportunidades, constrói autoridade e gera conexões que movem. Por isso, minha atuação no marketing digital tem esse foco: ajudar mulheres a se enxergarem como marca, a usarem as redes sociais com propósito e a ocuparem espaços com confiança. Porque quando a gente comunica bem, a gente se fortalece — e fortalece outras também.
A Moovee Criativee é sua mais recente empreitada. Pode nos contar um pouco sobre essa empresa e qual o propósito por trás dela?
A Moovee Criativee é, na verdade, um projeto antigo que ganhou uma nova roupagem — mais madura, mais ousada e ainda mais conectada com o que acredito. Ela nasceu do meu desejo de unir tudo que vivi na comunicação, no audiovisual, nos eventos e no marketing em uma empresa que realmente entregue experiências com significado.Hoje, a Moovee é uma criativa de impacto: criamos campanhas, vídeos, estratégias e eventos que geram conexão e posicionamento. Mas mais do que entregar serviços, nosso propósito é impulsionar marcas e pessoas principalmente mulheres a contarem suas histórias com autenticidade, estratégia e coragem. É sobre comunicar com alma, mas também com resultado. A Moovee vem para mostrar que é possível ser criativo e estratégico, sensível e profissional, tudo ao mesmo tempo.
Quais critérios você considera essenciais para reconhecer mulheres que atuam em espaços de poder e liderança?
Na minha visão, o reconhecimento de mulheres em posições de liderança não deve se limitar ao prestígio dos cargos que ocupam, mas, sobretudo, à profundidade do impacto que geram em suas esferas de atuação. Três critérios me parecem fundamentais nesse processo de avaliação: impacto social, intencionalidade e integridade ética.O impacto diz respeito à capacidade de transformar realidades não apenas no sentido prático, mas também simbólico, ao inspirar outras mulheres a também se reconhecerem como agentes de mudança. A intencionalidade remete ao propósito que sustenta sua atuação: é essencial compreender se há um comprometimento genuíno com causas que transcendem o individual. Já a integridade é a coerência entre discurso e prática ou seja, se os valores defendidos são traduzidos em ações concretas, decisões responsáveis e relações respeitosas.Valorizo profundamente aquelas que não apenas ascendem, mas que também estendem a mão que compartilham conhecimento, criam redes de apoio e fomentam novos protagonismos. Liderança, para mim, é sobretudo sobre legado: o que se constrói para além do próprio nome.
Em sua visão, quais são os maiores obstáculos que as mulheres enfrentam para se estabelecerem e se destacarem no mercado de eventos e comunicação?
Os obstáculos enfrentados pelas mulheres nos campos da comunicação e dos eventos são múltiplos e, muitas vezes, estruturais. Ainda lidamos com a persistência de estereótipos de gênero que questionam a autoridade feminina em cargos de liderança, especialmente em ambientes majoritariamente masculinos ou em posições que exigem negociação, gestão de equipe e tomada de decisão sob pressão.Outro ponto crítico é a invisibilidade do trabalho feminino muitas mulheres atuam com excelência nos bastidores, mas raramente têm seu protagonismo reconhecido publicamente. Soma-se a isso a dificuldade de conciliar múltiplas jornadas, já que o peso do cuidado e das responsabilidades domésticas ainda recai majoritariamente sobre nós.Além disso, há uma defasagem no acesso a redes de influência e capital financeiro dois elementos fundamentais para escalar projetos e empreendimentos.No entanto, vejo também um movimento crescente de resistência e reinvenção. Mulheres têm criado seus próprios espaços, redes de apoio, coletivos e empresas. E é justamente aí que reside a potência: quando entendemos que juntas podemos romper barreiras históricas, criar novas narrativas e ocupar o mercado não apenas com competência, mas com visão, sensibilidade e força transformadora.
Como você enxerga o papel da tecnologia e do marketing digital no fortalecimento da presença feminina em setores tradicionalmente dominados por homens?
A tecnologia e o marketing digital representam, na minha visão, ferramentas de ruptura e reposicionamento. Elas têm o poder de democratizar o acesso à informação, ampliar vozes antes marginalizadas e reposicionar narrativas especialmente as femininas em espaços historicamente dominados por homens.Quando uma mulher domina os códigos do marketing digital, ela não apenas comunica um produto ou serviço: ela afirma sua existência, compartilha sua visão de mundo e estabelece autoridade em um ambiente que, por muito tempo, lhe foi hostil. Plataformas digitais permitem que mulheres criem suas próprias marcas, monetizem seus saberes, construam comunidades e dialoguem diretamente com públicos estratégicos, sem depender de mediações tradicionais ou validações externas.Além disso, a tecnologia tem sido uma aliada na criação de redes colaborativas, mentoras online e iniciativas de capacitação que fortalecem o protagonismo feminino em diversas áreas da engenharia à política, da medicina à produção cultural.Portanto, mais do que ferramentas técnicas, enxergo o marketing digital e a tecnologia como instrumentos de emancipação e transformação social.
O que você acredita que falta para que mais mulheres, especialmente jovens empreendedoras, tenham acesso a oportunidades que permitam ampliar seu impacto e liderança?
A meu ver, o que ainda falta para que mais mulheres em especial as jovens empreendedoras alcancem espaços de maior impacto e liderança é uma conjunção de fatores que vão além do acesso imediato a recursos financeiros ou treinamentos técnicos.Primeiramente, é necessário fomentar ambientes que promovam a inclusão verdadeira, onde a diversidade seja vista não como um requisito burocrático, mas como uma fonte legítima de inovação e transformação. Isso implica desconstruir preconceitos enraizados e estruturas de poder que limitam o reconhecimento do potencial feminino.Além disso, há uma demanda urgente por redes de apoio sólidas e intergeracionais, capazes de oferecer mentorias, trocas de experiências e acolhimento emocional aspectos fundamentais para a construção da resiliência e da confiança necessárias na jornada empreendedora.Por fim, creio que precisamos ampliar o acesso das mulheres a espaços decisórios, não apenas como representantes simbólicas, mas como protagonistas ativas na formulação de políticas públicas, no mercado financeiro e nas instâncias de governança corporativa.Quando esses elementos convergirem, estaremos pavimentando o caminho para um ecossistema onde as jovens empreendedoras possam florescer com plenitude, ampliando seu impacto e protagonismo de forma sustentável e transformadora.
Ao longo da sua carreira, qual foi o momento mais marcante em que sentiu que sua voz ou trabalho fizeram uma diferença real na vida de outras mulheres?
Um dos momentos mais marcantes da minha trajetória aconteceu quando algumas mulheres me disseram que se espelhavam em mim não apenas pelo que eu fazia profissionalmente, mas pela forma como eu encarava os desafios, pela coragem de ocupar espaços que historicamente não foram pensados para nós.Foi ali que percebi que minha voz e meu trabalho ultrapassavam o alcance imediato das minhas ações, gerando inspiração e estímulo para que outras mulheres também acreditassem no próprio potencial e se sentissem autorizadas a sonhar mais alto. Essa troca de energia é o que me impulsiona até hoje, porque a transformação verdadeira nasce dessas conexões humanas, desse efeito multiplicador que a liderança feminina pode provocar.Saber que minha jornada pode servir como referência é uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma enorme motivação para seguir construindo caminhos e abrindo portas para muitas outras.
Quais conselhos você daria para aquelas que estão começando agora, seja no jornalismo, nos negócios ou na comunicação estratégica?
Para quem está começando agora, meu conselho principal é cultivar a autenticidade acima de tudo. Em um mundo saturado de informações, a voz que mais se destaca é aquela que é verdadeira, que traduz experiências únicas e um propósito genuíno.Além disso, recomendo desenvolver uma mentalidade de aprendizagem constante: esteja aberta para se reinventar, para ouvir críticas construtivas e para buscar conhecimento em todas as fontes possíveis desde livros até conversas com pessoas de diferentes áreas.Também reforço a importância de construir uma rede de apoio sólida colegas, mentores, amigas porque ninguém cresce sozinho. Essas conexões serão fundamentais para compartilhar desafios, celebrar conquistas e abrir portas.Por fim, tenha coragem para errar e persistir. O caminho pode ser árduo, mas cada desafio é uma oportunidade de crescimento e fortalecimento. Lembre-se: o protagonismo se constrói diariamente, com atitude, dedicação e fé na própria trajetória.
Como você equilibra sua vida profissional multifacetada com o cuidado pessoal? Há alguma rotina ou prática que considera fundamental para manter esse equilíbrio?
Equilibrar uma trajetória multifacetada como a minha exige mais do que organização: requer consciência e respeito pelos próprios limites. Procuro cultivar uma rotina que valorize tanto a produtividade quanto o cuidado pessoal, porque acredito que não há excelência no trabalho sem equilíbrio emocional e físico.Uma prática fundamental para mim é a disciplina de reservar momentos diários para o autocuidado — seja através da meditação, da leitura ou mesmo de pequenas pausas para desconectar das telas e respirar. Também me esforço para estabelecer fronteiras claras entre trabalho e vida pessoal, entendendo que estar presente nos diferentes papéis que desempenho é essencial para minha energia e criatividade.Além disso, acredito que a construção de uma rede de apoio, tanto profissional quanto pessoal, é determinante para sustentar esse equilíbrio. Compartilhar responsabilidades, dividir desafios e celebrar conquistas em conjunto torna a jornada mais leve e significativa. Em resumo, é um exercício diário de atenção plena, autoescuta e priorização que me permite seguir com paixão e foco, sem perder de vista o que me faz bem como pessoa.
Olhando para o futuro, quais são seus sonhos e metas para sua trajetória como comunicadora, empreendedora e liderança feminina?
Meus sonhos e metas são pautados por um desejo profundo de amplificar ainda mais o impacto da comunicação como ferramenta de transformação social e empoderamento. Quero que a minha trajetória como comunicadora e empreendedora seja marcada por projetos que inspirem mudanças reais, que abracem a diversidade e que ampliem vozes muitas vezes silenciadas.No âmbito da liderança feminina, meu compromisso é continuar construindo e fortalecendo espaços onde as mulheres possam ocupar seus lugares de forma autêntica, segura e influente seja na comunicação, nos negócios ou em qualquer esfera que escolherem atuar.Tenho também o sonho de expandir a Moovee Criativee, transformando-a numa referência nacional de criatividade estratégica alinhada a valores de inclusão e impacto positivo.Por fim, desejo seguir aprendendo, conectando pessoas e fomentando uma rede colaborativa que impulsione a próxima geração de líderes femininas, porque acredito que o verdadeiro legado é aquele que transcende o individual e potencializa o coletivo.