Larissa Daniela da Escóssia Rosado (PSB) é um nome indissociável da construção política de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Oriunda de uma das mais históricas famílias políticas do estado — é filha dos ex-deputados federais Sandra Rosado e Laíre Rosado Filho —, Larissa construiu uma trajetória que, desde os 18 anos, tem se dedicado ao serviço público e à representação feminina nos espaços públicos de poder e decisão.


Larissa Rosado: A histórica Força da Representatividade Feminina em Mossoró e a falha no sistema de cota de gênero

A vocação política de Larissa Rosado manifestou-se cedo. Em 1992, com apenas 18 anos, ela já presidia o PMDB Jovem de Mossoró, atuando também como delegada do Diretório Municipal do partido até 1998.

Sua carreira legislativa deslanchou com a eleição para Deputada Estadual em 2003, com 39.144 votos. Ela foi reeleita em 2006 e 2010. Embora não tenha conseguido se reeleger em 2014, assumiu seu 4º mandato em janeiro de 2017, após a renúncia do então deputado Álvaro Costa Dias.

Com quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), Larissa Rosado demonstrou a força e a resiliência de uma mulher que se mantém no centro do debate político há mais de duas décadas. Sua atuação a levou, inclusive, a ocupar a Secretaria Estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape) entre 2007 e 2008, durante a gestão da ex-governadora Wilma de Faria, outra importante liderança feminina do estado.

Um dos aspectos mais marcantes da carreira de Larissa Rosado é sua persistência na disputa pela prefeitura de Mossoró. Ela se candidatou quatro vezes ao cargo (2004, 2008, 2012 e na eleição complementar de 2014).

Apesar de não ter alcançado o Executivo Municipal, a votação crescente que obteve — chegando a 63.309 votos em 2012 pelo PSB — é um testemunho da sua relevância e do capital político que construiu junto ao eleitorado mossoroense.

A trajetória política de Larissa Rosado (PSB) foi marcada, em 2023, por um revés que expõe uma ironia dolorosa no debate sobre representatividade feminina no Brasil. Em maio daquele ano, a então vereadora de Mossoró, uma voz histórica na política potiguar e defensora pública das mulheres, perdeu seu mandato por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando uma possível fraude à cota de gênero cometida pelo seu partido, o PSDB, nas eleições de 2020.

O resultado dessa decisão, que anulou todos os votos da chapa do PSDB, foi a perda do cargo pela mulher mais votada de seu partido. Ironicamente, a vaga na Câmara Municipal de Mossoró foi destinada a um homem, um desfecho que subverte o próprio espírito da lei de cotas, desenhada para aumentar a presença feminina nos espaços de poder.

Eleita em 2020 com a 5ª maior votação de Mossoró (2.516 votos), Larissa Rosado sempre se posicionou como uma defensora da inclusão da mulher na política.

O Alerta para a Representatividade

O caso de Larissa Rosado lança luz sobre os complexos e muitas vezes contraditórios mecanismos da Justiça Eleitoral em relação à cota de gênero (Lei das Eleições, Art. 10, § 3º).

Enquanto o objetivo da lei é promover a participação de, no mínimo, 30% de candidaturas femininas, a anulação da chapa, embora buscando punir a fraude, acabou penalizando diretamente uma mulher que foi legitimamente eleita com alta votação. O resultado prático foi a substituição de uma líder feminina por um homem na Câmara, gerando um debate sobre a eficácia da aplicação da lei quando a punição recai sobre as próprias mulheres eleitas.

Apesar da perda do mandato, Larissa Rosado demonstrou sua resiliência ao se refiliar ao PSB em 2024, mantendo-se ativa nas movimentações políticas de Mossoró. A situação de Larissa Rosado serve como um potente lembrete de que a luta pela representação feminina na política é complexa, exigindo vigilância não apenas contra a ausência de mulheres, mas também contra as falhas sistêmicas que podem, paradoxalmente, diminuir o número de mulheres eleitas.

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