Imagem retirada do Blog Gustavo Negreiros

Dia Internacional da Mulher: Entre as marchas e as manchas da dura realidade da violência política de gênero

Enquanto o calendário marcava o 8 de março e as marchas pelo Dia Internacional da Mulher tomavam as ruas com justos discursos de igualdade, os bastidores políticos e jurídicos de Mossoró refletiam uma face bem mais sombria e incômoda. À frente da subseccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município, Lorena Gualberto vivenciou, mais uma vez, o sabor amargo que o poder reserva às mulheres que decidem ocupar os espaços de poder e decisão: a violência política de gênero.

A advogada já havia enfrentado ataques misóginos brutais durante sua campanha à presidência da Ordem. Mesmo sob fogo cruzado, provou sua força e saiu vitoriosa. Contudo, a vitória não estancou o machismo. Nas últimas semanas, Lorena vem sendo fustigada por uma tentativa sistemática de “abalar” sua imagem, que incluiu o vazamento de áudios de reuniões internas e uma nova onda de ataques orquestrada por blogs e perfis anônimos exatamente no fim de semana dedicado à luta das mulheres.

O preço da independência

Em ambientes desenhados historicamente para a liderança masculina, como o Judiciário e a advocacia de classe, uma mulher com voz própria incomoda. Lorena ganhou a alcunha de “Dama de Ferro” justamente por sua postura irredutível. A referência à famosa primeira-ministra britânica Margaret Thatcher — que dizia que para ter algo feito, deve-se pedir a uma mulher — não é por acaso. Lorena optou pela ação e pela independência, recusando-se a ser uma figura decorativa ou “mandada” por velhas lideranças. O preço por essa autonomia tem sido a tentativa de “fritura” pública de sua imagem.

Como observou de forma cirúrgica um artigo recente do Blog do Gustavo Negreiros, a artilharia voltada contra a presidente da OAB Mossoró escancara a moral da oposição que ela enfrenta.

A violência política de gênero opera em um padrão muito claro:

  • Falta de debate técnico: Os ataques não questionam a eficiência da sua gestão, as medidas administrativas da OAB, os valores de anuidade ou a defesa das prerrogativas dos advogados.
  • Desqualificação pessoal: O objetivo não é vencer no argumento, mas desestabilizar a mulher emocionalmente e manchar sua reputação perante a classe.
  • Ataques nas sombras: O fogo amigo de ex-aliados e as críticas destrutivas partem de perfis e vozes sem rosto, que não têm coragem de assinar o que publicam sob a tela de um celular.

Menos flores, mais respeito institucional

Passado o 8 de março, a pergunta que o Mulher em Pauta deixa para a sociedade e para a advocacia potiguar é: até quando aceitaremos que a violência política seja validada como ferramenta de oposição? A maior homenagem que podemos prestar a Lorena Gualberto — e a todas as mulheres em posição de poder — não são flores ou posts elogiosos de ocasião, mas o respeito institucional. A divergência faz parte do jogo democrático, mas a covardia do anonimato e o preconceito disfarçado de crítica são sintomas de uma doença que a sociedade precisa, urgentemente, curar.


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